domingo, 13 de março de 2011

Impunidade e ignorância

Estamos vivendo o avesso dos ponteiros. Estamos vivendo a morte do bom senso. Toda a justiça a qual fomos ensinados a acreditar por uma boa educação, parece não ter sentido mais para determinadas pessoas.
É repulsivo e condenável determinadas atitudes de famílias que protegem filhos transgressores de códigos de conduta, ética e legais.
Venho citar um exemplo bem próximo a mim, onde um irmão agride fisicamente sua irmã, a ponto da mesma ter de tirar tomografias, pois foi jogada de cabeça no chão e não satisfeito com isso, tal covarde ainda enforca com uma chave de braço sua irmã até ela desmaiar, não sessando a agressão até quando ela teve sangramento nasal causado pelo sufocamento só parou quando a mãe conseguiu soltar sua filha de tal agressão. Então vem minha pergunta: Qual a atitude mais sensata a se tomar em tal situação? Uma punição exemplar, dada pelos pais, que se não acionam a polícia (o que deveria ter sido feito), ao menos punissem com rigor tal covardia sem excrupulos. Porém não é o que eu presencio, vejo apenas a um dia após esse crime, o tratamento para com esse covarde normal, como se nada tivesse acontecido, como se não se importassem com o fato de quase terem perdido um familiar por agressão de outro familiar, Apenas no momento e no decorrer do dia, foram prometidas punições, porém no decorrer da semana todos parecem ignorar o fato, o agressor se dá ao luxo até de pedir dinheiro para a mãe para comprar um ingresso de um determinado show, vemos a inversão de valores, onde o certo não é mais certo e o errado é passivel de esquecimento apenas pelo fato de pais relapsos e inúteis que simplesmente por não quererem se preocupar com os outros, por acharem que seus problemas são os únicos que merecem atenção, ou que pra proteger a saúde física e mental de alguém, você deve encobrir, "passando a mão na cabeça" de um covarde agressor de mulheres e simplesmente perdoar o que se passou! Agora vem a minha pergunta: Onde uma pessoa que quase foi morta, tem depois de uma semana, perdoar o agressor (seu próprio irmão) depois te tão horrível trauma? Só mesmo na cabeça insâna e doente de pais relapsos e inúteis como já disse acima. Essa conduta permissiva e ignorante é o que cria Suzanes Von Richthofen e Irmãos Cravinhos, que dizimam as próprias famílias, por condutas corruptiveis adquiridas ao longo de uma vida desregrada que muitas vezes é culpa sim dos pais que não impõe limites nem castigos ou não dão senso de certo e errado, e quando dão, colocam de forma destorcida, ensinando assim que não há limites para erros. Criando o senso de impunidade que sempre nos ronda nesse nosso país. Para finalizar, deixo a seguinte frase: HOMEM QUE BATE EM MULHER TEM PROBLEMAS COM A PRÓPRIA SEXUALIDADE". (Pois homem de verdade não agride uma mulher) E peço que caso concordem, ponham esta frase pelo menos por um tempo nas redes sociais de vocês, para mostrar que o desprezo e repulsa a um criminoso também é uma forma de punição!

Um abraço a todos!
Flávio Shamash

Crônica do Nada.

Pessoas que invertem conceitos são dígnas e nojo
Pessoas que apoiam o errado e tendem a crucificar o certo.
Pessoas que viram as costas para a verdade, em nome da vaidade.
Pessoas cegas, de fé cega, de falta de senso, de falta de cérebro!
Pessoas que não querem se envolver. Pessoas que se envolvem mal,
Pessoas que dão as costas, que andam lado a lado com o torpe e o medíocre.
Pessoas que não se incomodam de serem assim
Pessoas que batem palmas pra violência,
Pessoas que batem palmas para a impunidade
Pessoas que batem palmas para sí, por assim pensarem.
Disse eu pessoas? Não, não caro leitor, não são pessoas, não são NADA!

Flávio Shamash

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Lease of Life - Angra

De onde você vem?
Eu ouço a canção de um anjo
Parece ser um chamado
Um feitiço de amor de Eros
Leve-me através da tempestade

Quando você veio?
Eu retornei há muito tempo
Um espírito me trouxe a vida
Uma paixão à primeira vista
Me empreste vossa mão, meu coração

Ninfas dançam ao redor da ilha
Um fantasma grita e me assombra o tempo todo
Então você chega
Como um anjo dos céus
Libera todos os meus sonhos
Eu me pergunto porquê
Você se foi
Algum dia você vai voltar

De onde você veio?
De longe? Além?
Virgem como um diamante
Preciosa, como uma criança
Me empreste vossa mão, meu coração

Nós temos que acreditar que vamos unir nossas vidas
Sobre a vingança, traição ou mentiras
Podemos ser um
Podemos reiniciar

Perdoe meus erros
(O tempo o dirá)
Perdoe meus erros
Algum dia

Desde que cheguei à costa
Eu vi todo o meu passado (algum dia!)
Uma nova oportunidade trazida da fonte
Um novo contrato de vida

sexta-feira, 21 de maio de 2010

In honor n' Glory to the true friendships!

De honra e glória, de nomes e atitudes, de amor e amizade, de carinho e dedicação, disso vive uma lenda, uma história vindoura!
Tivera todo o tempo do mundo pra saber quem era Shamash, ou qualquer dos nomes que possuo. E no fim... os caminhos daqueles que foram descartados sempre se cruzarão! E os daqueles que tem o amor e a honra de uma amizade verdadeira, jamais se cruzarão, pois sempre andaram lado a lado ao longo de toda a jornada!

Flávio Shamash

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Edgar Allan Poe - Ulalume

Virginia, a jovem esposa de Poe, muito bonita, com uma graça de menina que algumas delas conseguem reter por muito tempo, cada vez com a saúde mais debilitada, estava destinada a uma morte prematura. Uma das grandes alegrias do poeta era ouvi-la cantar, sentada ao piano ou dedilhando a harpa. Na noite de 30 de janeiro de 1847, a melodia se interrompe bruscamente; um vaso dos pulmões se rompera, e Poe não ouviria "nunca mais" a voz que o enlevava. Desde então, ela não podia mais suportar a menor mudança de temperatura, tinha necessidade de tratamentos que a exiguidade da casa e dos recursos não permitiam que fossem tomados. Em sua memória, Poe escreve o angustioso Ulalume.


Era o céu de um cinzento funerário
e a folhagem, fanada, morria,
a folhagem, crispada, morria;
era noite, no outubro solitário
de ano que já me não lembraria;
ficava ali bem perto o lago de Auber,
na região enevoada de Weir;
bem perto, o pantanal úmido de Auber,
na floresta assombrada de Weir.

Lá, uma vez, por um renque titânico
de ciprestes, vagueei, em desconsolo.
Era então o meu peito vulcânico
qual torrente de lava que no solo
salta, vinda dos cumes de Yaanek,
nas mais longínquas regiões do pólo,
que ululando se atira do Yaanek
nos panoramas árticos do pólo.

Tristonha e gravemente conversamos,
mas a idéia era lassa e vazia
e a memória traidora e vazia;
que o mês era de outubro não lembramos,
nem soubemos que noite fugia.
(Ai! A noite das noites fugia!)
Não recordamos a lagoa de Auber
(e já fôramos lá, certo dia);
não pensamos no charco úmido de Auber
nem no bosque assombrado de Weir.

Quando a noite ia já desmaiada
e as estrelas chamavam pela aurora,
pálidos astros apontando a aurora,
eis que surge, no extremo da estrada,
uma luz fluida, nebulosa; e fora
dela se ergue um crescente recurvo,
diadema de Astarté, que se alcandora.

“Menos fria que Diana é essa estrela”,
digo, “a girar num éter feito de ais.
Viu o pranto, que a mágoa revela,
nas faces em que há vermes imortais
e, por onde o Leão se constela,
vem mostrar o caminho aos céus, letais
caminhos para a paz dos céus letais;
a despeito do Leão, vem-nos ela
iluminar, com olhos triunfais;
das cavernas do Leão, vem-nos ela,
cheia de amor nos olhos triunfais.”

Mas diz Psique, tremendo de aflição:
“Dessa estrela, por Deus, desconfia!
Desse estranho palor desconfia!
É preciso fugir de luz tão fria!
Apressemo-nos! Voemos, então!”
E, perdidas de tanta agonia,
suas asas se inclinavam para o chão;
soluçava e, de tanta agonia,
as plumas rastejavam pelo chão,
tristemente roçando pelo chão.

“Isso”, falei, “é um sonho de criança!
Oh! sigamos a luz que facina,
mergulhemos na luz cristalina!
É um clarão de beleza e de esperança
o que vem dessa luz sibilina.
Olha-a: entre as sombras, como gira e dança!
Guie-nos, pois, essa estrela, que ilumina
nossa estrada, com toda a confiança;
que nos guie para onde se destina.
Nessa estrela tenhamos confiança,
pois nas sombras, assim, volteia e dança!”

Dou um beijo a Psique, que a conforta,
impedindo que o medo se avolume,
que a dúvida, a tristeza se avolume,
e da estrela seguimos o lume
a té que nos deteve uma porta
de tumba, e uma legenda nessa porta.
“Doce irmã”, perguntei, “dessa porta
que tragédia a legenda resume?”
“Ulalume!” - responde-me. “Ulalume!”
“Essa é a tumba perdida de Ulalume!”

E me vi de tristezas referto,
como a folhagem seca que morria,
a folhagem fanada que morria!
E exclamei: “Era outubro, decerto,
e era esta mesma, há um ano, a noite fria
em que vim, a chorar, aqui perto,
fardo horrível trazendo, aqui perto!
Nesta noite das noites, sombria,
que demônio me arrasta aqui tão perto?
Bem reconheço agora o lago de Auber,
na região enevoada de Weir;
bem vejo o pantanal úmido de Auber,
na floresta assombrada de Weir!”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Old Tale - Korpiklaani

A Velha história sobre a garota
E o fazendeiro pobre
O tempo deles juntos acabou
Não duraria para sempre
Eles sabiam bem disso

Então eles aproveitaram do momento
Tudo
Então eles aproveitaram do momento
Tudo

Disse o pai à moça
"Tá na hora de ir embora
Você vai casar com quem eu escolher
Ele é rico o suficiente e religioso
Ele é o senhor de tudo existente"

"Quem é o escolhido?"
Perguntou a garota com o olhar triste
"Ele é um senhor do oeste
Ele é pra você o melhor homem"
Mas a garota estava triste como uma criança

A garota carregava o filho do fazendeiro
E o pai percebeu isso
"Você morrerá" ele gritou
"Você morrerá como uma prostituta
Você merece a forca
Eu enterrarei você e suas sinas"

O garoto ouviu que a garota foi enforcada
Ele tirou sua espada
E cortou o pescoço do pai dela
Então foi ao abismo
E caiu para sua morte
Lá ele encontrou sua noiva e filho

"Quem é esse pequeno
Que você abraça?"
"Ele é seu doce filho...
E vem com a gente
Agora estamos aqui juntos para sempre
Sempre aqui, juntos para sempre"

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bella Julietta - LEO (037)

Nómbrame esta vez.. susurrándome
Bésame otra vez.. ¡embrujándote!
Cierra los ojos sin querer.. acaríciame
Reconociéndonos la piel.. ¡al amanecer!

Me roba su corazón
Jurándome eterno amor
Se va entre mis manos su calor
Los labios que condene
Princesa que siempre ame
Cruzare al otro lado en donde estés

Llora sin saber
Nos toco perder
Bésame otra vez... embrujándome
En mi memoria veo el ayer
Donde te encontré
Entre mis brazos te arrope.. ¡No te dejare!

Me roba su corazón
Jurándome eterno amor
Se va entre mis manos su calor
Los labios que condene
Princesa que siempre ame
Cruzare al otro lado en donde estés

Y el silencio una vez mas..
No te vayas, quédate
Siento frio, oscuridad
Tu sonrisa hará
Que vuelva a despertar una vez mas miedos!

Yo.. te esperare
Nooo.. te dejare
Cuando abras los ojos
Te prometo que estaré

Me roba su corazón
jurándome eterno amor
Se va entre mis manos su calor
Los labios que condene
Princesa que siempre ame
Cruzare al otro lado espérame

Me roba su corazón
Jurándome eterno amor
Se va entre mis manos su calor
Los labios que condene
Princesa que siempre ame
Cruzare al otro lado en donde estés

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Flowers and Frustration

A flor morre com tempo
mas um sorriso verdaderio é pra sempre.
Uma lágrima que cai em um segundo,
no outro já faz parte do esquecimento.

[...]

Que assim como A flor morre com tempo,
Um sorriso verdadeiro pode ser pra sempre.
Que assim como um sonho nasce para ser eterno,
também pode morrer.

sábado, 10 de outubro de 2009

Disappear

Por que, diga-me as razões
Por que tento, eu ainda não entendo
Eu sentirei isso novamente?
Céu azul, eu te encontrarei no final
Liberte-as, liberte as memórias de você
Liberte-me, e descanse até que eu esteja com você

Um dia como hoje
Todo meu mundo mudou
Nada do que você diz
Ajudará a acalmar minha dor

Contornar, eu contornarei isso lentamente por aí
Queimar, queimar para me sentir vivo novamente
Ela, ela quis que eu seguisse
Veja-me, à esse lugar eu ainda pertenço
Persiga, para achar mais do que eu achei
E encare, agora por minha própria vontade

Dias desaparecem
E todo meu mundo continua mudando
Eu sinto você aqui
E isso me mantem são

Então eu estou seguindo
Eu nunca esquecerei
Como você deitou lá e me olhou
Aceitando o final
Eu sabia que você estava assustada
Você era forte, e eu estava tentando
Lhe dei minha mão
E disse: Está bem, hora de ir embora daqui
E eu seguirei
O melhor que eu puder
Sem você aqui ao meu lado
Deixe-o vir levar-lhe para casa

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Lullaby

Não chore, eu estou aqui com você
Sinta a escuridão correndo para longe daqui
Não chore, eu estarei com você
Pesadelo, demônios... tudo acaba agora.

Então feche seus olhos e você viajará
Para um mundo mágico
Onde a paz reina sempre

Hoje as estrelas guiarão seus sonhos
e protegerão todas as coisas acima de você
Hoje à noite, um anjo virá dar-lhe um beijo
Somente você
Doce sonho agora, meu pedacinho de amor

Aqui vamos nós, não olhe para trás
Segure minha mão e nós voaremos longe
Aqui você tem milhares de aventuras para viver
Apenas escolha uma cada noite

Não lembre da escuridão e a tristeza
Venha aqui agora, de volta para a luz.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Corvo Edgar Allan Poe - Por Machado de Assis

"Como podem notar, postei abaixo diferentes versões de um mesmo poema, que seja-lhe feita justiça, é absolutamente fantástico, sou suspeito para falar, afinal é de um de meus autores favoritos. Abaixo segue a FANTÁSTICA versão do Imortal Machado de Assis, seguida por uma versão em prosa e uma em forma de poesia transcrita pelo indescritívelmente brilhante Fernando Pessoa".


Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."

Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro coa alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais."

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: "Nunca mais."

“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

O Corvo Edgar - Allan Poe (Tradução em prosa por Helder da Rocha)

A pedidos, aqui vai a tradução em Prosa...

Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais."

Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.

E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."

Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.

Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.

De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"

Edgar Allan Poe

O Corvo Edgar Allan Poe - Tradução de Fernando Pessoa (1924)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

















Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo:
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, de certo me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo
Tão levemente, batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

















A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse os meus ais,
Isto só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.
Meu coração se distraia pesquisando estes sinais.
É o vento, e nada mais."


Edgar Allan Poe

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gratidão

Quão odiosa pode ser a gratidão?
Esses vultos atormentam minha mente
Não consigo conter minha raiva
Não consigo externar uma ação

Quão grandiosa pode ser a gratidão?
Até que ponto ela pode me conduzir?
Numa redoma de vidro, atrás dos muros?
Veja quão odioso destino.

Quem realmente tem razão?
O coração que sente-se feliz
ou a desconfiança da primeira impressão?
A agonia de não saber o que fazer?

O quão triste pode ser a ingratidão?
O quão pesaroso pode ser sentir-se grato?
Não há em prisma algum
Uma direção na qual eu possa me guiar

O quão odiosa pode ser a gratidão?
O quão grandiosa pode ser?
O quão nociva pode se tornar?
O quão triste pode ser o fim?


Flávio Shamash.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Burocracia na Música.

Muitos músicos em inicio de carreira sempre recorrem aos sites de pesquisa para verificar como podem registrar sua banda ou grupo e suas respectivas músicas, tendo após alguns cliques uma grande decepção. Custa e custa caro se precaver contra os malditos plagiadores.
Vou descrever aqui os procedimentos, façam suas conclusões após terminarem de ler...


Os grupos musicais que desejam ter a propriedade do nome e/ou da marca que utilizam devem requerer o seu registro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

O representante da banda (pessoa física) deve comparecer ao instituto munido de CPF e de algum outro documento que comprove o exercício da profissão de músico (carteira da OMB ou do Sindicato ou a autonomia do INSS).

Devem ser apresentados documentos originais e cópias autenticadas. A taxa da busca é de R$ 25,00 e o registro fica em R$ 130,00 (valores em janeiro de 2004).

Instituto Nacional de Propriedade Industrial
Praça Mauá, 7 - Térreo - Centro
Rio de Janeiro / RJ - CEP 20081-240
Tel (21) 2206-3000 Site: http://www.inpi.gov.br


Agora me digam vocês: tem que comprovar que é músico por uma porra de papel? Por que não posso levar meu Violão e dizer: "Ouça aí! Viu só sou músico!"
Se pararmos para pensar boa parte das bandas hoje em dia, são aquelas que os caras sequer tem dinheiro para pagar um equipamento apropriado para desenvolverem sua música, já que é para cobrar, pelo menos poderia ser um preço mais acessível.
Infelizmente se não quiser ter o nome de sua banda plagiado, você terá que perder alguns (muitos) Reais nisso.


Para registrar suas músicas você poderá seguir os procedimentos abaixo:

Antes, pequenos detalhes fazem a diferença…

1.Uma música pode conter letra e melodia ou somente melodia. Para que todos os músicos possam executar seus respectivos instrumentos (mesmo que não conheçam a música) existe a partitura.

2.Partitura - representação escrita com símbolos próprios (notas musicais) representada mundialmente. (CONTINUE LENDO…)

3.Obra - Pode ser definida como a criação psíquica e física do autor de letra, melodia ou notação musical, no primeiro momento de existência, que transmite uma forma de expressão ao ouvinte, que por sua vez poderá interpretar de forma igual ou diferente do autor.

4.Autor - É aquele que cria, adapta, traduz, arranja ou orquestra (neste último caso só as obras caídas em domínio público), identificado pelo nome civil, pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional.

5.Co-Autor - É aquele que cria em conjunto, traduz ou adapta. Tem os mesmos direitos do autor. OBS.: Não se pode considerar Co-autor quem apenas auxilia o autor, avalia, rever ou atualiza, bem como fiscaliza ou dirige.

A maneira legal de se proteger segura e definitivamente de eventuais usurpações, é simples e "barata", e garante, inclusive, o direito ao recolhimento do valor correspondente aos direitos autorais, caso um terceiro deseje se utilizar de sua obra.

Para registrar sua música, procure a Escola Nacional de Música ou o Escritório de Direito Autoral (EDA), órgão da Fundação Biblioteca Nacional (www.bn.br/eda), responsável pelo registro de obras intelectuais. Este registro permite o reconhecimento da autoria, especifica os direitos morais e patrimoniais e estabelece prazos de proteção tanto para o titular quanto para os seus sucessores.

No Rio de Janeiro, procure a Escola Nacional de Música, que fica na Rua do Passeio, 98.

Outra forma é: Assine a partitura e a letra da sua música e vá num cartório reconhecer a sua firma e autenticar cópia. Se alguém aparecer com a sua música em um CD, você tem como provar que aquela música e letra já existiam desde a data em que você reconheceu a sua firma. Porém, você é o responsável pela guarda de sua documentação. Se perder, rasgar, molhar, rasurar… Já sabe, né?!

Desejo boa sorte a todas as boas bandas que queiram começar, e que tenham uma boa reserva de dinheiro também!!!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Não é Eterno o Escuro

Compus esse pequeno fragmento abaixo, para uma pessoa demasiadamente especial para mim.
Uma amiga das melhores que podem existir. Boa pessoa em todos os sentidos. Por conta de uma má pessoa, o típico verme mau caráter, sofreu uma grande decepção. E dentro de nossa conversa de nossa troca de confidências surgiu o fragmento abaixo:

Não é Eterno o Escuro.
Não é Eterna a tristeza.
Não ecoarão suas palavras,
pois não tenho que teme-las.

Não é Eterna a dor.
Não serão Eternas as palavras.
Suas ofensas e mentiras,
Sua falta de Coragem.

Não são eternas as Lagrimas,
que sequer deveriam cair.
Não serão eternos os sorrisos,
Mas para alguém haverei de sorrir.

Não é rápida a cura.
Não é fácil de entender.
Será simples de aceitar,
quando descobrir quem sou eu.

Alguém que não merece chorar.
Alguém que merece seguir.
Alguém que é forte e firme.
Alguém que só terá motivos para sorrir.

Dedicado a Ana Moreira,
por Flávio Shamash.

Mais do que uma Banda... Uma Família!!!


Eis que tudo toma um rumo, mas onde isso vai dar?

Existem sonhos e ideiais, sendo que nenhum dá as mãos ao outro.
Todos os sonhos são conflitantes, cabendo assim a Eterna dúvida.
Buscar os tão sonhados ideais,
ou ser simplesmente mais um que faz o mundo girar com o suor de um trabalho honesto? (Nos padrões torpes de nossa sociedade arcáica)

Aponte-me agora uma pessoa que um dia não sonhou ser o que não é.
Que buscou, ou ao menos imaginou aquele caminho que não trilhou.
Mas o grande ponto disso tudo está aí: Na maior parte dos casos os sonhos não pagam contas. Apenas uma pequena parcela daqueles que tentaram, e diga-se de passagem durante anos de dificuldade conseguiram chegar a um ponto em que seus tão amados sonhos puseram comida em suas mesas, conforto e comodidades a sua vida.

Meu exemplo é claro, como o de muitos que possam vir a ler este texto.
Sou Músico e Escrevo, tenho uma banda de Metal, porém nessas duas atividades creio eu que se algum dia venha a fazer sucesso, ou obter êxito consideravel nessas atividades será a custa de dificuldades de anos e mais anos, ou de muita sorte de ter alguém que estenda a mão para minha pessoa ou para um de meus companheiros de banda.
Mas vemos hoje em dia uma decadência completa da Literatura e da Música, pois quem realmente tem um trabalho bom a ser mostrado geralmente perde espaço para as "Coisas do Momento", podemos citar como exemplo essas bandas de movimento EMO que não sei se vocês sabem é a sigla de "Eu Masturbo Outros", Poderia citar inúmeras pessoas, bandas e afins que fazem trabalho de muito mais qualidade, porém em nada são valorizadas por esta maldita indústria que só abre as portas para lixo "Comercial", não que eles estejam errados, afinal dinheiro é o que move a sociedade, mas essa mesma indústria põe na cabeça das pessoas que "isso" ou "aquilo" é bom e merecedor de sua atenção.
Baseado nisso pergunto: Por que Diabos não induzir as pessoas a gostarem de algo bom? Mas acabamos caíndo em discussões de gosto que não são apropriadas no momento. Mesmo que você não consiga seguir seus sonhos, não os deixem morrer, pois quem sabe um dia o sol não há de brilhar? Nunca se sabe quando a sorte, a fatalidade ou o acaso podem te levar aos caminhos inexplorados de seus sonhos ou piores pesadelos.

Flávio Shamash

domingo, 27 de setembro de 2009

Só...

Não fui na infância como os outros,
e nunca ví como os outros viam.
Minhas paixões não tirava de fonte igual a deles;
E era outra a origem da tristeza.
E era outro o canto que acordava meu coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba da tormentosa vida,
Ergueu-se no bem, no mal, de cada abismo o meu mistério.

Veio dos rios, das fontes de rubra escarpa da montanha,
do sol que me envolvia em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade.

Daquela núvem que se alterava, só, no amplo azul do céu puríssimo,
ante meus olhos, como um Demônio.

Edgar Allan Poe